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Adote a morte

  • Clipping Vitae
  • 29 de mai.
  • 2 min de leitura

Na última segunda-feira, dia 25, foi o Dia Nacional da Adoção, mas pouco ou quase nada sobre o tema foi veiculado nas mídias tradicionais.

Enquanto, no governo anterior, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos lançou a campanha “Escolher adotar é escolher amar”, o atual Executivo Federal não foi capaz de realizar uma única campanha publicitária desde que começou sua gestão.

Para compensar essa imperdoável omissão governamental, o Poder Judiciário, por meio do Conselho Nacional de Justiça, promove, desde 2017, a campanha #AdotarÉAmor.

Ano a ano, em parceria com todos os tribunais brasileiros, a iniciativa sensibiliza pessoas sobre a adoção e divulga informações sobre o processo. O ápice de sua publicidade foi em 2022, quando a CBF abraçou a campanha e, na 7ª rodada do Brasileirão, nas séries A e B, todos os times entraram em campo com camisetas e faixas com a logo da campanha estampada, dando intensa visibilidade a esse direito das crianças e dos adolescentes.

Este ano, uma espetacular inovação digna de muitos aplausos foi o lançamento de um aplicativo chamado A.Dot, que reúne informações sobre as crianças aptas à adoção que estão no Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA).

Esse aplicativo, que antes funcionava apenas no âmbito do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, agora passa a abranger todo o território nacional e irá permitir que os usuários possam conhecer os perfis das crianças e adolescentes com fotos, vídeos curtos e informações essenciais, respeitando, logicamente, a intimidade e o sigilo das informações.

Assim, hoje, em nossos celulares, na palma de nossas mãos, temos acesso a uma das formas mais puras de expressar o verdadeiro amor, que é a adoção de uma criança ou de um adolescente

Diversamente da ultrapassada ideia de que o ato de adotar é escolher uma pessoa para si, sabemos hoje que o conceito mais adequado e condizente com a finalidade do instituto é justamente a de que nos disponibilizemos para sermos nós os escolhidos por eles.

E este doar-se é que justifica a referência à morte no título da coluna de hoje.

Adotar alguém é, nada mais, nada menos, do que acolher um sentido de vida que se torna mortalmente importante. Futilidades, vaidades e outras coisas frívolas que ocupam nosso tempo e nossas mentes são imediatamente colocadas de lado quando nós nos colocamos à disposição de uma vida. Toda a entrega e dedicação que é inerente a esse ato nos faz morrer para quem éramos e viver para quem nos tornamos.

Há um renascer de muitas vidas: adotados e adotantes beneficiam-se mutuamente desta entrega, que é uma escolha consciente e inequívoca, cuja validade está justamente na verdade que ela encerra: o amor resultante dessa nova relação, o qual habilita os envolvidos a serem capazes de entregar suas próprias vidas em favor uns dos outros.

Abrace, então, este paradoxo: adote uma vida, morra para si e renasça para uma nova existência.

 
 
 

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