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Ao aceitar dinheiro de Vorcaro, Flávio Bolsonaro acaba se tornando devedor

  • Clipping Vitae
  • 15 de mai.
  • 3 min de leitura

Eu falei em meu canal de YouTube sobre Flávio Bolsonaro e a prisão do pai de Daniel Vorcaro, mas gostaria de considerar com vocês os efeitos disso tudo. A esquerda está festejando e a direita está brigando – uma briga entre candidatos, como Romeu Zema e Ronaldo Caiado, que estão vendo a oportunidade de subir nas pesquisas. Muita gente pode estar decepcionada com Flávio, mas claro que não votará em Lula; vai esperar que venha Michelle, talvez, se Jair Bolsonaro assim decidir; teremos de esperar.

Aquela conversa entre os dois foi em 8 de setembro. Se Flávio tivesse divulgado o conteúdo no dia seguinte, ninguém nem entenderia, porque ainda não se falava em Vorcaro como se fala agora. No máximo, Vorcaro ainda era o grande patrocinador de eventos que reuniam ministros do Supremo, do STJ, da Advocacia-Geral da União, da Procuradoria-Geral da República, em Londres, em Lisboa, em Nova York, isso em abril, maio e junho. A conversa daquele áudio aconteceu em setembro. O problema é que os telefonemas continuaram até dias antes da prisão de Vorcaro. Na véspera, Flávio ainda disse para ele: “Meu irmão, eu estou com você, vou estar sempre com você”. Isso pega mal para a candidatura de Flávio e surpreende a direita, que ainda está procurando o que vai fazer.


O erro de Flávio foi pedir o favor, porque ele fica devendo. Vorcaro se torna credor de Flávio, assim como é credor de todos os que ele patrocinou: do contrato de R$ 129 milhões, dos aportes no Tayayá, dos aviõezinhos, dos jatinhos, das viagens, dos hotéis caríssimos, do patrocínio aos Gilmarpalooza e aos fóruns jurídicos em Londres e Nova York. Sendo ano eleitoral, isso vira notícia.

Informações importantes não deveriam sair da PF, mas estão saindo

Outra questão é a prisão do pai de Vorcaro. Isso significa que o banqueiro, ou o pai, terão de fazer uma delação premiada e contar mais coisas. Se não contarem, a Polícia Federal vai descobrir. Isso que foi divulgado, por exemplo, foi descoberto pela PF, e o Intercept conseguiu isso de alguma forma dentro da PF. A operação de quinta-feira afastou a delegada federal Valéria Vieira Pereira da Silva, que tinha acesso a informações privilegiadas e as repassava ao grupo de Vorcaro. O marido, Francisco José Pereira da Silva, agente aposentado, também é investigado. Obviamente sabíamos que havia pessoas na Polícia Federal ou no Supremo com acesso à informação, porque existe aquele telefonema do “conseguiu bloquear?”, destinado a um telefone do Supremo e que apagava as mensagens depois.


Lula agora compra voto com subsídio à gasolina

As despesas públicas e a dívida pública vão aumentar porque agora teremos subsídio à gasolina – desde março, já havia subsídio ao gás e ao diesel. A Petrobras não pode inventar ou segurar preços, porque tem acionistas, é empresa listada na Bolsa de Nova York e precisa se comportar com equilíbrio; se o preço internacional do petróleo sobe, por causa do Estreito de Ormuz, a Petrobras tem de seguir, do contrário prejudicará a si mesma e aos seus acionistas. Então, o governo vai subsidiar; serão quase 50 centavos por litro. Quando eu voltar ao Brasil e for abastecer meu carro, os impostos de todos me darão R$ 30 reais em subsídio, que eu deveria pagar pelo combustível.

Isso é compra de votos e populismo em ano eleitoral, como tantos outros atos praticados pelo presidente, candidato à reeleição. Por isso, muita gente acha que não deveria haver reeleição, pois o candidato usa seu poder para fazer propaganda política com o dinheiro do povo.

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

Alexandre Garcia

Alexandre Garcia começou sua trajetória no jornalismo na década de 70. Trabalhou na Globo, onde passou pelos principais telejornais da emissora. Hoje atua como comentarista em 32 jornais e 210 rádios. É um dos nomes mais respeitados da imprensa brasileira, por sua expertise e opiniões contundentes, exercendo grande influência na mídia nacional. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.

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