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STF inverte prioridades no escândalo do Banco Master

  • Clipping Vitae
  • 29 de mai.
  • 2 min de leitura

Data de abril do ano passado a primeira menção ao contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia da mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, publicada pelo jornal O Globo.

Em dezembro, quando o Master já havia sido liquidado pelo Banco Central e suas fraudes financeiras eram de conhecimento público, o mesmo veículo revelou que o contrato somava exorbitantes R$ 129 milhões a serem pagos ao longo de 36 meses.

Em março, descobriram-se mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro a Moraes, enviadas em 17 de novembro, quando o então controlador do Master fora preso pela Polícia Federal.

A despeito da comprovação de todos esses indícios escandalosos, a Procuradoria-Geral da República não moveu uma palha para investigar as relações entre o magistrado e Vorcaro —nem, aliás, as transações milionárias de uma empresa ligada ao ministro Dias Toffoli com um fundo da rede do banco fraudador.

Tampouco o Supremo se dispôs a tomar providências concretas. Magistrados resistem até mesmo a um singelo código de conduta proposto pelo presidente da corte, ministro Edson Fachin.

As energias das autoridades, ao que parece, estão voltadas para descobrir e punir os responsáveis pelo vazamento das informações.

Logo no início deste ano, Moraes valeu-se dos superpoderes que ganhou com o interminável inquérito das fake news para determinar uma devassa na Receita Federal em busca de quebras de sigilos fiscais de ministros do STF e seus familiares. Funcionários do fisco foram afastados e colocados sob monitoramento.

Na última terça-feira (19), o ministro André Mendonça autorizou uma operação policial que resultou no afastamento de um perito da PF suspeito de ter repassado a terceiros informações confidenciais. A nota lacônica divulgada pelo tribunal não entrou em detalhes, mas soube-se em Brasília que se tratava do famigerado contrato entre o Master e Viviane Barci de Moraes.

Supondo que o servidor de fato seja responsável pelo vazamento, é de imaginar por que tamanha diligência investigativa não é aplicada em um esclarecimento mais importante —por que um banqueiro mafioso firmou um contrato de valores absolutamente fora dos padrões de mercado com o escritório da esposa de um ministro do STF.

A questão cabe não apenas à corte mais alta do país, mas também, e sobretudo, ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, até aqui inerte no caso.


 
 
 

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