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A esperança dos social-democratas

  • Clipping Vitae
  • 13 de jun. de 2025
  • 5 min de leitura

Poucos perceberam, e os que perceberam não comentaram, mas a verdade é que o PSDB não morreu, simplesmente mudou de endereço. Para quem observa os movimentos da atual política, é bem nítido que o PSD tem absorvido a maior parte dos quadros do PSDB.


Vale lembrar que a sigla PSDB significa Partido da Social-Democracia Brasileira; e PSD, Partido Social Democrático. Quase o mesmo, só falta uma letrinha no final para serem literalmente iguais. Mas as semelhanças não se resumem somente à sigla.


O perfil dos candidatos, a ideologia, os acordos com todos os lados, o pragmatismo, o “em cima do murismo”, enfim, todo o modus operandi é o mesmo: ambos não querem mexer no sistema, nem fazer grandes reformas, ignoram o socialismo que está embutido na Constituição, não querem nem mencionar nada sobre a agenda colocada pela esquerda. 


Aceitam a premissa dos socialistas de que regulamentar tudo é um avanço; aliás, nada de novo, lembrando que historicamente os comunistas na Europa ocidental sempre foram aliados dos social-democratas contra os burgueses e os conservadores. 


Esquerda “light”

Para essa corrente social-democrata, o socialismo não deve ser implementado por meio de revolução, mas pela gradual institucionalização de todas as políticas públicas. Isso significa que, ao petrificar tais políticas em constituição, gera-se o mesmo resultado: o estado no controle de tudo. O processo gradual é o que distingue o social-democrata da esquerda revolucionária.


Esse é o ideal desse segmento “light”: chegar ao socialismo através de reformas graduais, avançando as garras da máquina pública sobre as liberdades individuais da sociedade


Nas ocasiões em que os social-democratas formaram oposição aos comunistas, foi para retardar o processo, mas não negar necessariamente os objetivos. 


Alguns podem até argumentar que nos anos 1990 o PSDB no Brasil era oposição e conseguiu fazer reformas contra o estatismo sufocante presente na época. Como refutação, sabemos que tais reformas foram meros ajustes, implementadas apenas para a máquina do estado sobreviver.


Lembremos também que, na Argentina, a esquerda peronista dominou a política por quase 100 anos e foram os próprios peronistas que, em diversas ocasiões, tiveram que reformar o estado para garantir mais um voo de galinha.


Como se não bastasse, naquela mesma década, os social-democratas, então no comando do país, criaram silenciosamente inúmeras agências reguladoras para normatizar todos os setores e atividades do país. Pior ainda, tudo isso diminui o poder do Congresso Nacional e fortalece o do presidente. Meigos...


Lar do conservador socialista

Essa parte silenciosa e pragmática dos social-democratas atrai muitos conservadores. É exatamente isso que os torna enganosos para os pouco antenados em política. Eles detêm bons quadros de representantes, com boa aparência e discurso, confiança e conexão com a ala conservadora; afinal, os social-democratas sempre se inseriram nas bases conservadoras para garantir votos. Lobos em pele de cordeiro.


Os conservadores do passado não estavam tão alertas como os de agora, o que não os impede de continuar caindo na mesma falácia. O resultado é acabar elegendo personalidades que têm um perfil muito similar ao que existia antes, atrasando o país com mais burocracia.


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Mito do estado eficiente

O ideólogo da social-democracia promove o mito de que o estado pode se tornar eficiente se boas pessoas, como eles, ocuparem o comando. Iludem a população com a mentira de que a previdência, a saúde ou a educação estatal podem um dia funcionar maravilhosamente bem.


Mas os altos impostos, as crises fiscais, a inflação, a burocracia e a Lava Jato expuseram vários dessa ala como sendo tão incompetentes e corruptos quanto qualquer outra da esquerda e do centrão.


No momento em que a população percebe que as instituições de Estado estão falidas e todas precisam de revisão profunda, as perguntas surgem: esse centro social-democrata vai fazer grandes reformas? Vai sugerir um novo modelo de previdência? Vai desmontar a corrupção do SUS? Vai fazer reforma administrativa? Se o sujeito falar em mexer no vespeiro do STF, nem vira candidato, não é mesmo?


Enfim, o centro social-democrata vai mudar o Brasil ou apenas maquiar o sistema para o Estado Máximo sobreviver ao próximo capítulo?


O teatro está voltando

A verdade, meus caros, é que o “teatro das tesouras” está sendo reconstruído.  Lembram-se de quando não havia partido de direita, quando todos os partidos tinham estatuto esquerdista, quando a oposição ao PT era outro partido de esquerda, notadamente o PSDB? Pois bem, esse era o teatro construído para o eleitor cair na ilusão de que ele tinha opções, quando de fato todas as opções eram e são farinha do mesmo saco.


Antes, alijar a direita de ter representantes próprios ou que pudessem ascender a postos com mais poder público era fácil; isso era feito dentro do jogo dos caciques de partido que recebiam somas vultosas para eliminar opções no tabuleiro. Mas hoje, como a direita transbordou da opinião pública para dentro dos partidos, o corte está vindo do supremo. 


Não basta o STF eliminar vários dos quadros da direita; a imprensa hoje, como fazia na época em que o PSDB era oposição ao PT, já considera candidatos social-democratas do PSD, PSDB, MDB e outros como “direita”.


Estão reconstruindo uma falsa direita como sendo a real oposição, assim como era antes da Operação Lava Jato. Naquele período, eliminar candidatos da direita do pleito eleitoral foi o meio de tornar viável o centro social-democrata.


Já vimos esse jogo de cena também nos discursos de vários políticos do centro que adotaram o discurso da direita, mas não demonstram nenhuma iniciativa para desmontar as políticas públicas da esquerda. 


Essa é a essência do social-democrata: discurso e equilíbrio conservador, mas quando cai do muro, cai para a esquerda


Centro e esquerda sempre estiveram unidos e criaram um Estado Máximo para se perpetuar. Para eles, a direita conservadora é um vírus, que além de não se encaixar nos esquemas, pode desmontar todo o modelo socialista de estado.


É bom que o eleitorado do século 21 esteja mais atento que o do final do século 20, pois será essa a geração a cair mais uma vez no mesmo truque e chancelar o retorno da esquerda maquiada ao poder.


Luiz Philippe Orleans e Bragança

Luiz Philippe de Orleans e Bragança é deputado federal por São Paulo, descendente da família imperial brasileira, trineto da princesa Isabel, tetraneto de d. Pedro II e pentaneto de d. Pedro I, sendo o único da linhagem a ocupar um cargo político eletivo desde a Proclamação da República, em 1889. Graduado em Administração de Empresas, mestre em Ciências Políticas pela Stanford University (EUA), com MBA pelo Instituto Européen d'Administration des Affaires (INSEAD), França. Autor dos livros “Por que o Brasil é um país atrasado”, “Antes que apaguem”, “A Libertadora – Uma Nova Constituição para o Brasil” e “Império de Verdades”. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.


 
 
 

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