A Unicamp se rende ao identitarismo “woke”
- Clipping Vitae
- 25 de abr. de 2025
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A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), uma das principais instituições de ensino superior do país, aprovou, por unanimidade de seu Conselho Universitário, a adoção de cotas de ingresso nos cursos de graduação para travestis, transexuais e pessoas “não binárias”. Apesar de a decisão ter ocorrido em um 1.º de abril, estava longe de ser mentira: a universidade de fato se rendeu à militância identitária, implantando uma política que está mais para privilégio que para ação afirmativa.
Segundo as novas regras, cursos com até 30 vagas deverão oferecer uma vaga para este grupo, que pode ser tanto uma vaga adicional quanto retirada da concorrência geral. Cursos com mais de 30 vagas terão de oferecer dois lugares para essa população. Os novos cotistas só poderão ingressar por meio da nota do Enem, não pelo vestibular da instituição. A Unicamp afirmou que a implantação das novas cotas faz parte de um acordo para encerrar uma “greve de estudantes” ocorrida em 2023 – uma situação em si mesma surreal, já que, a rigor, quem poderia fazer greve em uma universidade são os professores e funcionários, não os alunos, que, recusando-se a assistir às aulas, nada mais fazem que desperdiçar o dinheiro dos contribuintes paulistas, que bancam sua formação, pois a Unicamp é uma universidade estadual.
Não basta a um grupo ser discriminado ou enfrentar dificuldades cotidianas para se ver contemplado por cotas universitárias; é preciso que haja uma situação comprovada de injustiça no acesso ao ensino superior público
Quando surgiram as primeiras políticas de ação afirmativa, já se dizia que elas deveriam ser uma solução temporária e paliativa para facilitar o acesso imediato ao ensino superior público de grupos que, especialmente por fatores socioeconômicos, se viam privados dessa oportunidade. Ao mesmo tempo, a prioridade deveria ser melhorar o ensino médio para que, no fim, todos pudessem competir em condições de igualdade no Enem e nos vestibulares. Nada disso aconteceu – pelo contrário: o Novo Ensino Médio está destinado a ter ainda mais ideologia identitária –, e as cotas passaram de temporárias a permanentes, abrangendo cada vez mais grupos, a ponto de tornarem-se, em casos como o da Unicamp, quase um privilégio. A Constituição afirma, no caput do seu artigo 5.º, que “todos são iguais perante a lei”; e, no inciso I do artigo 206, que deve haver “igualdade de condições para o acesso e permanência na escola”; mas esses preceitos constitucionais estão sendo, aos poucos, minados pelo identitarismo.
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