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O Brasil e a próxima Guerra Santa

  • Clipping Vitae
  • 14 de nov. de 2025
  • 7 min de leitura

A situação na Europa Central, como já é sabido, beira o caos. Enquetes mostram que menos da metade da população ainda se denomina cristã. Em alguns casos chegam a 80% os não cristãos, como é o caso da França. Esse é o resultado de um longo processo em que não só forças externas agiram contra o cristianismo, ao mesmo tempo que uma série de subversões internas promoviam a derrocada de um modelo que sustentou a cultura ocidental por milênios.

Forças externas

Para entender como chegamos a ponto de negar quem somos e de onde viemos, é preciso voltar ao apogeu da civilização cristã - aliás, o substantivo civilização só pode ser associado ao adjetivo “cristã”, mas este é um assunto transversal. A Idade Média foi marcada pela influência da Igreja Católica na sociedade, com as catedrais góticas e o pensamento de São Tomás de Aquino. Também foi emblemática a coroação de Carlos Magno em 800 d.C., que consolidou o Império Carolíngeo. A este momento de equilíbrio entre a vontade de Deus e a vontade dos homens chamamos Cristandade.

É importante observar também que a Cristandade também viveu momentos profundos de crise dentro da instituição e teve que combater heresias que se espalharam e colocaram em risco a própria existência da Igreja, mas nada comparável ao que se seguiu.

O ápice da civilização cristã na Idade Moderna ocorre a partir da consolidação das alianças entre a Igreja e os reis cristãos que se concatenam em grandes impérios europeus, em especial nos séculos 15 e 16, em que se uniram o período das grandes navegações e  descobrimentos à reação da Igreja diante da revolução protestante.

Impérios encontram o ocaso com a Revolução Francesa

Praticamente toda a mitologia e a simbologia que sustentavam a ideia do rei ungido por Deus caiu por terra, ao menos em boa parte da Europa. Sucederam-se grandes levantes, e mais tarde, no século 19, esses levantes tinham em comum uma ideia não cristã, mas não necessariamente anti-cristã.

Naquele momento o cristianismo estava intrinsecamente vinculado ao estado, e essa ligação associou a rejeição à Igreja às falhas do governo ou ao seu isolamento da vontade popular. Foi quando surgiu o debate se o estado deveria ser laico ou confessional.  De qualquer maneira, o modelo de estado com base no Cristianismo decaiu a partir da Revolução Francesa e foi encerrado no final da Primeira Guerra Mundial, com o fim de boa parte dos Impérios cristãos europeus.

Esse é um dos fatores importantes. A Europa não estava mais na vanguarda da defesa do Cristianismo, como foi anteriormente. Em algumas partes da Europa, por exemplo, no leste europeu ou mesmo na Rússia, a religiosidade ainda era alta, assim como o nacionalismo, em algumas áreas de fronteira entre oriente e ocidente, mas em termos efetivos não havia uma cristandade  defendida pela população, muito menos pelas instituições públicas, porque o Cristianismo deixou de ser parte do Estado.

Europa é resultado de políticas migratórias desordenadas

Tais políticas foram adotadas por governos social-democratas, globalistas e socialistas, fruto da destruição sistemática do que é “ser europeu”. A migração de povos de fé muçulmana, ativados do ponto social e político, tem uma missão clara:  destruir o cristianismo por dentro. Vale observar que a migração predatória não se refere necessariamente à etnia árabe, pois sabemos que uma parcela expressiva, até o início do século 20, tinha outras denominações religiosas, entre elas o cristianismo.

A Europa não tem como se proteger, pois, a sociedade não se importa e as instituições não estão adequadas para fazer frente ao inimigo islâmico, ao contrário, agem contra a sociedade cristã, e é bem provável que se continuar assim uma completa substituição venha a tomar curso de forma muito mais acentuada. Ou seja, podemos prever o fim de todas as monarquias calcadas no cristianismo que ainda subsistam, uma vez que os governos adotam políticas de migração especificamente não-cristã.

Essa previsão para a Europa é inexorável, mas ao mesmo tempo é possível perceber que uma expressiva parte dos europeus ainda é cristã e preserva sua identidade europeia. Estamos falando de cerca de 30% dos quase 500 milhões de habitantes da Europa, ou 70 milhões de pessoas, um valor expressivo, embora um tanto disperso em vários países. Certamente, quando a situação piorar, diante da invasão muçulmana, eles terão duas opções: lutar ou fugir.

Refugiados europeus no Brasil e nos EUA

Quando se depararem com falta de opções para onde fugir dentro da própria Europa, os cristãos terão como alternativa a América Latina ou os Estados Unidos, ambientes ainda favoráveis aos cristãos refugiados, recriando um fluxo migratório já bem conhecido do final do século 19 e início do século 20, quando a América recebeu milhares de imigrantes europeus que fugiam de guerras, fome ou perseguições religiosas. Entretanto, ainda há outros fatores que inibiriam essa diáspora.

É provável que muitos optem por lutar, travando uma guerra civil dentro dos países europeus. Esse não é um cenário difícil de prever. Com o tempo, se nada for feito, os cristãos se tornarão minoria e sequer poderão travar um combate, e esse é o grande fator estratégico engendrado pelos destruidores do cristianismo: uma substituição sem confronto, por pura saturação do ambiente, com uma nova maioria muçulmana, em que o cristão não tenha sequer os meios de se proteger.

A reação é agora ou nunca

Na verdade, ele já não tem.  Em vários países os cristãos não conseguem se associar ou criar grupos para estabelecer um confronto. Portanto, até a projeção de conflito é duvidosa, a não ser que a crise se instaure agora, mas como esse ponto de decisão está no futuro, o cristianismo tem mais ainda a perder, e é por isso que estamos presenciando um processo inexorável.

Assim, não será na Europa central que uma guerra santa deve ser travada, porque o mais provável é uma substituição bem ampla da sociedade, com alguns resquícios de resistência no leste europeu ou até mesmo na própria Rússia, como já foi no passado, notadamente na Iugoslávia, Hungria, Polônia e Ucrânia, que muitas vezes no passado se defenderam da incursão otomana.

A Europa central tem tudo a perder: Bélgica, Alemanha, Holanda, França, Portugal, Espanha, Inglaterra, países que definiram o que é o Ocidente por vários séculos. É provável que se não travarem uma guerra agora, não o farão no futuro.

Onde impera o Islã, impera a barbárie

O segundo ponto é que o genocídio de cristãos no Sudão perpetrado por muçulmanos não é diferente de suas costumeiras práticas ao longo da história. Basta recorrer a exemplos da ascensão muçulmana no passado. A partir do século 6 islâmicos deram um tratamento draconiano aos infiéis, seguindo as suras do Corão.

Lembrando que o Corão não pode ser interpretado, portanto, o que está escrito deve ser absorvido como letra fiel a ser implementada na ação. A lei da sharia, um dos preceitos embutidos no código islâmico, dá poder aos muçulmanos de praticar as maiores atrocidades contra quem eles julgam infiéis. É isso o que acontece no Sudão, quando um estado ou um movimento islâmico é criado. É necessário admitir que esses, de fato, são coerentes com sua fé muçulmana. É claro que existem exceções, nem sempre os governantes islâmicos adotam a lei da sharia, e nesse caso uma parte do Islamismo não é implementada, mesmo com maioria muçulmana.

Mustafa Kemal Atatürk, na Turquia, por exemplo, debelou o império otomano, e no rescaldo do esfacelamento, liderou um movimento nacionalista e criou um estado laico, talvez o único estado laico de maioria muçulmana na história. Naquele momento ele rechaçou a sharia, considerando-a uma prática que não deve ser implementada ou representada em lei, colocando a Turquia em curso de se alinhar com o Ocidente.

Vale lembrar que no início do século 20, quando o presidente da Turquia, Atatürk,  fez uma grande mudança em seu país e em praticamente todo o império otomano, modernizou todas as estruturas de seu país em que o analfabetismo era total e não havia indústria. Era uma área de extrema pobreza que contrastava com seu passado de grandes filósofos, matemáticos e mestres de navegação, da astronomia, da arquitetura e da construção civil. 

Pode-se até tecer um paralelo entre a ascensão do islamismo e a decadência cultural e científica dos povos árabes. Hoje em toda a região que se denomina árabe e países que têm maioria muçulmana no comando há um estrangulamento das diversas culturas e etnias que compuseram o Oriente Médio antes de muçulmanos tomarem o poder e determinarem leis semelhantes à da sharia.

Cultura de tolerância e oportunismo

A perseguição absoluta na Europa e o genocídio que varrem todas as regiões da África não pode ser ignorada. Na Europa, os dados informados são aumento do latrocínio, da violência contra a mulher, além da substituição política. Vemos que ali também não há uma linha de defesa e a próxima guerra esperamos que não seja civil, armada, mas uma guerra santa necessária de ser travada no âmbito político de proteção contra a lei da sharia e a invasão muçulmana. Não vejo uma frente de combate a não ser nas Américas, e o Brasil é um expoente nessa luta.

Também não vejo os EUA como grandes defensores. Os valores anglo-saxões que foram absorvidos pelo liberalismo ainda permeiam boa parte da sociedade norte-americana. Tolerância, permissividade e igualdade são argumentos usados pelos muçulmanos para desarmar a sociedade, que poderia se levantar contra a invasão islâmica.

A missão salvífica é nossa

No Brasil essas sementes também estão plantadas no nível institucional, pois parte da burocracia e dos partidos de esquerda são anticristãos, anti-Europa, e contra a soberania e a independência do Brasil, e vão querer de fato subverter esses conceitos, no entanto, estão limitados pela população.

Apesar de comandarem as instituições, os burocratas não comandam o povo, ao contrário, estão isolados, como Luís XVI se isolou em Versailles, sem nenhuma noção do que acontecia no bojo da sociedade. No Brasil, a população será resiliente e defensora dos seus valores, dizendo “não” às instituições e a qualquer tipo de levante contrário ao cristianismo.

No Brasil, os valores de transgressão à fé ainda não conseguiram vingar. Embora alguns setores católicos e evangélicos tenham esmorecido, não o fizeram a ponto de criar uma fraqueza endêmica no cristianismo.

Como bem afirmou padre Antônio Vieira em seu “Sermão da Primeira Missa”, em 1655: “O Brasil é a terra onde Deus quer que se faça a sua obra”. Assim, nosso país tem a missão importante de ser esse grande bastião de defesa, e espero que possamos daqui iniciar uma reconquista, que implica persistência, estudo e tempo para retomar os ideais cristãos. Essa é a missão da nossa geração, reunir mais pessoas para cerrar fileiras e enfrentar a nova realidade que se impôs no início do século 21.


Luiz Philippe Orleans e Bragança

Luiz Philippe de Orleans e Bragança é deputado federal por São Paulo, descendente da família imperial brasileira, trineto da princesa Isabel, tetraneto de d. Pedro II e pentaneto de d. Pedro I, sendo o único da linhagem a ocupar um cargo político eletivo desde a Proclamação da República, em 1889. Graduado em Administração de Empresas, mestre em Ciências Políticas pela Stanford University (EUA), com MBA pelo Instituto Européen d'Administration des Affaires (INSEAD), França. Autor dos livros “Por que o Brasil é um país atrasado”, “Antes que apaguem”, “A Libertadora – Uma Nova Constituição para o Brasil” e “Império de Verdades”. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.


 
 
 

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