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Os Correios, de rombo em rombo

  • Clipping Vitae
  • 12 de set. de 2025
  • 2 min de leitura

O prejuízo dos Correios apenas no primeiro semestre deste ano soma R$ 4,4 bilhões. Pode alcançar R$ 8 bilhões ao longo de todo este ano.


Agora, compare: A construção do túnel Santos-Guarujá, em discussão há mais de cem anos, prevê um aporte público de R$ 5,14 bilhões.

Ou seja, se for confirmado, o rombo deste ano dos Correios corresponderá a mais de uma vez e meia um túnel Santos-Guarujá.

Os Correios são uma estrutura em processo rápido de sucateamento. A cada trimestre, os administradores da empresa arranjam explicações estapafúrdias para os resultados decepcionantes. Ou é a redução das importações das assim chamadas “blusinhas”, ou são decisões judiciais que aumentam as despesas ou, ainda, necessidade de aportes ao Postalis, o fundo de pensão dos seus funcionários.

Tudo isso não passa de descascamento da pintura de uma casa cujos alicerces vão afundando. A questão principal é a de que os Correios ficaram com o core business perdedor: o de entrega de cartas e telegramas, que ninguém mais manda depois que a internet foi inventada. Até mesmo o Sedex, um serviço de entrega de volumes, opera com problemas, como o de atrasos.


Se for para assumir participação no mercado de entregas de encomendas, os Correios terão de enfrentar empresas altamente competitivas, como a Amazon, a FedEx, a DHL, a Mercado Livre, a Magalu, a Loggi e outras.

Para isso, será necessário investir pesadamente em computação, instalações e logística. A Mercado Livre está despejando no Brasil R$ 34 bilhões, somente neste ano.

Além disso, a empresa teria de trocar o perfil do seu pessoal. Para entregar encomendas de maior volume, já não serviriam os quase 80 mil carteiros que saem distribuindo correspondências pelas ruas. Teria também de contratar motoristas de furgões ou motoboys.

Ou seja, não adianta o Tesouro injetar uns bilhõezinhos que em seguida vazariam buraco abaixo. Só para cobrir o patrimônio líquido negativo, seriam necessários quase R$ 9 bilhões. Se for para convocar o setor privado para recapitalizar a empresa, serão exigidos capitais equivalentes a construir mais que dez túneis Santos-Guarujá. Será preciso mudar tudo, será preciso refundar a empresa.

O governo Lula, que arrasta a cultura de tratar as empresas estatais como bezerros de ouro e cabide de emprego, está paralisado como rolinha hipnotizada pelos olhos da cascavel. Parece conformado com o diagnóstico de que este é um fenômeno global e não exclusivo do Brasil. Não consegue nem substituir seu atual presidente, demissionário desde julho, e não se dispõe a montar uma estratégia para salvar a empresa.

 
 
 

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