Um Novo Ensino Médio repleto de ideologia identitária
- Clipping Vitae
- 17 de abr. de 2025
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Os dados mais recentes (de 2018) do Índice Nacional de Alfabetismo Funcional mostravam um país onde quase 30% dos universitários não são capazes de interpretar bem um texto, nem de resolver problemas matemáticos usando porcentagens ou proporções; e onde apenas outros 30% conseguiam elaborar textos complexos ou ler gráficos e tabelas. Qualquer gestor racional, em um país com este perfil, reforçaria conteúdos básicos no ensino médio, de modo a sanar essas deficiências graves nos alunos que saem dessa etapa rumo ao ensino superior. Mas os ideólogos que tomam conta do Ministério da Educação e do Conselho Nacional de Educação podem ser tudo, menos gestores racionais.
Na quinta-feira passada, dia 11, o CNE aprovou uma resolução sobre os itinerários formativos do chamado “Novo Ensino Médio”, aprovado em 2017, no governo Michel Temer, e reformado em 2024, já sob o governo Lula. Os itinerários formativos correspondem a 20% da carga horária – os outros 80% serão preenchidos pelas disciplinas tradicionais – e são de livre escolha do estudante, que opta entre Linguagens e suas Tecnologias, Matemática e suas Tecnologias, Ciências da Natureza e suas Tecnologias, Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, e Formação Técnica e Profissional. A ideia dos itinerários formativos é permitir ao aluno aprofundar seus conhecimentos na área que for de seu interesse; mas, em vez de aprofundamento real, esse estudante receberá doses cavalares de “wokismo”, graças à SEB, que elaborou a resolução, e ao CNE, que a aprovou.
Trocar conteúdos muito necessários por militância woke no ensino médio é um crime contra a educação daqueles jovens brasileiros que mais precisam de capacitação para proporcionar ascensão social a si mesmos e suas famílias
Se esses estudantes chegarem à faculdade tendo sido privados do aprofundamento a que tinham direito quando escolheram determinado itinerário formativo, encontrarão barreiras que podem desestimulá-los e até mesmo levá-los à evasão. E, ao abandonar o ensino superior, eles terão perdido uma grande chance de desenvolvimento pessoal e profissional – não por culpa própria, ou por causa de alguma limitação pessoal intransponível, mas única e exclusivamente graças a militantes encastelados no topo de uma pirâmide decisória, sem comprometimento algum com a educação real.
Trocar conteúdos muito necessários por militância woke no ensino médio é um crime contra a educação daqueles jovens brasileiros que mais precisam de capacitação para proporcionar ascensão social a si mesmos e suas famílias. A sociedade civil não pode assistir inerte a essa demolição de uma oportunidade de reverter parte das mazelas educacionais brasileiras. Entidades e ONGs realmente comprometidas com o ensino de qualidade precisam se manifestar contra este absurdo, mostrando como ele aprofundará um abismo social já existente entre estudantes ricos e pobres. Os representantes da população no Congresso podem dar sua contribuição, já que resoluções do CNE podem ser suspensas por um projeto de decreto legislativo (PDL). E, acima de tudo, o episódio deve servir como alerta para a enorme influência que conselhos sem representatividade popular, escolhidos por panelinhas, têm sobre atividades essenciais, como educação e saúde.
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